Mais dessa saudade
agosto 15, 2015
Marcadores: 2016Estou procurando por alguma coisa que mantenha minha mente entretida a 100%. Já comi, já li, escrevi...já rodei a casa toda como uma barata tonta, sem saber onde pousar, e como fugir do tédio. Pouca coisa me deixa tão fora de mim quanto o tédio. Ele me faz pensar, pensar muito. Mas, principalmente, faz com que eu note a presença do silêncio.
Pessoalmente não sou muito amiga dele, sabe? Dou sempre um jeito de marginalizá-lo. Não gosto de pontos finais, e sou bem cismada com reticências; sei que a frase continuará em breve, mas não gosto de esperar esse breve, enquanto pausas dormem entre as pautas. É como na música: as pausas estão ali, preenchendo espaço, mas não têm som algum!
Ao analisar a situação desse ponto de vista, vejo que fui irresponsável em não notar que o silêncio na música, é essencial. Sem ele os sons seriam uma massa ensurdecedora de agudos e graves...deixaria de ser arte para ser outra coisa qualquer.
Mesmo assim, não me convenço de que aprecio os silêncios, ainda que seja apaixonada por música, e reconheça que preciso da respiração para viver e cantar ao mesmo tempo. Às vezes o vento preenche o meu silêncio, mas aí vem o frio, que me lembra da falta do calor que a ausência provoca.
Talvez já esteja divagando, culpando o silêncio pelo que a ausência faz. Mas ambos estão interligados. Ou não? Entendo agora o que mais me incomoda em toda essa história. Não é a falta de algum ruído, mas o que ela desencadeia dentro de mim. Aquele pequeno incómodo, como uma coceirinha, mas que consegue atingir proporções comparadas a golpes no estômago.
Como uma palavrinha tão pequena pode causar tanto estrago? E porque é que tudo acaba nos lembrando dela? Como é possível que ela tenha mais de um nome? Mais de uma forma? E como nos livramos dela de uma vez por todas?
Pronunciar suas letras não vai fazer com que ela fuja, nem que deixe de apertar firme como punhos cerrados na garganta. Talvez até nos faça reconhecer que separamos um cantinho para ela, em vez de expulsá-la assim que surgiu com “falinhas mansas”.
É isso aí. Não é o silêncio, nem o vento, muito menos o frio. É a saudade! Ops...acho que finalmente deixei que ela escorregasse por entre meus dedos e invadisse a folha de papel que aguenta corajosamente minhas lamúrias, noite e dia. Mas o que tenho a perder agora? Há muito tempo deixou de ser uma “coceirinha” agradável.
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