Eu te perdôo

julho 19, 2015






Estou sentada, tentando absorver toda a paisagem que se desenrola à minha frente. Respiro profundamente,desejando que você estivesse aqui, comigo. Não precisaríamos conversar, apenas ficar de mãos dadas, apreciando a presença do outro e trocando olhares carinhosos.

Um gato preto, manchado de marrom, corre atrás de uma libélula. Seu pêlo macio e cauda felpuda enchem meus olhos. Tento agarrá-lo e segurar contra o peito, como se esse abraço felino substituísse o seu. Imagino como seria tê-lo como mais que um amigo. Ainda que fôssemos descomprometidos oficialmente, só o fato de partilharmos o segredo de que pertencíamos ao outro...fecho os olhos e invento a sua presença ao meu lado, na cadeira de balanço.

Quando te vi pela primeira vez, não fazia parte dos meus planos me apaixonar pelo seu sorriso sincero, pelos seus olhar meigo e seu riso de menino. Eu só queria te conhecer, partilhar experiências, comentar sobre os cultos, rir das histórias que já havíamos vivenciado...mas fui infiel a mim mesma. Em algum momento da estrada, meus olhos abriram subitamente. Mudava meu roteiro de vida para cruzar os nossos caminhos, escolhia cuidadosamente os comentários que fariam surgir um sorriso em seus lábios, tentava descobrir o que mais te encantava...

Comecei a viver por dois. Preocupada, orava em espírito quando você voltava para casa sozinho após as dez horas da noite. Pedi a Deus que cuidasse do homem que amava, mesmo sabendo que Ele o faria, ainda que eu não pedisse.

Começou a chover. Chove dentro de mim, uma tempestade com trovões e relâmpagos. Meu sol se apagou, foi brilhar em outro lugar, e não posso sentir sequer seu calor. Me diz que é só um sonho, que quando acordar estarei ao seu lado, ouvindo sua respiração compassada e o rosto tranquilo em sono profundo. E quando levantar minha mão esquerda para tocar seus cabelos, ver uma pequena argola dourada no penúltimo dedo. Saberei que meu sonho tornou-se realidade, sem evitar um sorriso de satisfação.

Errei quando disse que não sentiria sua falta, que poderia conviver com a saudade. Errei tragicamente. Perdoe minha dependência, que eu perdôo o fato de ter tirado uma parte do meu coração para sempre.

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