Nas mãos de Deus

julho 10, 2015




E ao primeiro sinal de sua voz no telefone, meus ouvidos parecem querer captar a freqüência desse som melodioso. Apesar da distância, reconheceria o tom que embala meus pensamentos nos dias mais frios até debaixo d'água...impossível de esquecer, inconfundível.

Vejo que apesar do seu controle, algo não está bem. Meus punhos fecham-se automaticamente, e meus pés apoiam-se firmemente no chão, como se pudessem me impulsionar para onde você está. Queria poder dizer que sinto muito, que aconteça o que acontecer, você pode contar comigo. Quero ser o ombro em que encontrarás consolo quando o dia correr mal.

Mas reconheço não ser esse o meu papel, não posso nem devo ocupar um espaço que não me pertence, mesmo que ao dizer isso, meu coração doa e ameace pousar lágrimas em meus olhos.

Queria te ligar e perguntar o que está sentindo, se posso ajudar de alguma forma; ou simplesmente ouvir sua voz, dizer que está tudo bem, que vai dar tudo certo, que Deus sabe o que faz. Que seus olhos foram feitos para acompanhar a manifestação de alegria dos seus lábios, e não para derramar tristeza sobre seu rosto.

Mas a única coisa que me resta é observar de longe, fingir indiferença e orar sempre que o coração aperta e a preocupação assalta. Dizem que a maior prova de amor é orar pela pessoa que se ama. Se essa é única maneira de demonstrar o que sinto, que seja. Sei dessa forma que não poderia estar em melhores mãos.

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